Itaim Bibi

Reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) de Itaim Bibi
15 de fevereiro, 2005


Membros Natos

Capitão Sergio Aparecido Pincelli, Comandante da 3ª Cia do 23º BPM; Dr. Mauro Guimarães Soares, Delegado Titular do 15º DP - Itaim Bibi; Inspetor da Guarda Civil Metropolitana Nilzo de Oliveira Filho.

Autoridades Presentes  

Antonio Marsiglia Netto, subprefeito de Pinheiros.

Nenhum representante da Subprefeituras de Vila Mariana nem do CET fizeram-se presentes, apesar de convidados.

Assuntos tratados

Foram inicialmente lidos ofícios da Subprefeitura de Pinheiros sobre assuntos apresentados pelo CONSEG.

O Sr. Bernardo disse que ficou satisfeito com as respostas da nova gestão da Subprefeitura: "agir parece que estão agindo, vocês viram o exemplo do bar Bazzi". 

José Ricardo sugeriu que na Vila Nova Conceição tem caçambas e gostaria que fossem tratadas que nem automóvel, tivessem placa; não tem sinalização, não pagam impostos, ficam estacionadas em zona azul. Outra sugestão é quanto aos alarmes residências quanto de automóvel: que tivessem horário, já que tem alarme que ficam várias horas fazendo barulho. Reclamou também da reserva de via pública mediante faixas amarelas por estabelecimentos comerciais. Relatou também que um serviço de valets bateu de frente no carro de uma moradora de um prédio e nada acontece. Reclamou também dos "formiginhas" (carroceiros). Disse que o outro dia viu um táxi bater num posto para não atropelar um desses carroceiros. O Sr.  Bernardo disse que José Serra está preocupado com as caçambas e vai regulamentar sua utilização. Quanto aos valets, informou da aprovação da Lei mas o problema é que não há fiscais suficientes: "A subprefeitura está meia atrapalhada ainda e tem de se acertar". Quanto aos carroceiros, o Sr. Bernardo disse que falou com a ex-prefeita Marta Suplicy, que não quis saber do assunto. 

Cecília Mello de Matos, que mora no bairro há 35 anos, entre as ruas Clodomiro e a João Cachoeira, veio para o bairro buscando sossego. Morava na Bela Vista, mas lá "infelizmente o sossego acabou". Reclamou da boate na Clodomiro Amazonas, 407, do lado de sua casa, "o som toca indiscriminadamente, eles não tem acústica e estamos sofrendo, sua mãe completou cem anos de idade" e precisa descansar.

Mônica da rua Gomes de Carvalho, diz que seu apartamento no nono andar vibra com o barulho do Vinil, e eles alegam que ela  "é biruta" e tudo não passa de mentira da sua parte.

Walter, que mora na rua Japão, quer saber qual a providência que está sendo tomada com relação aos assaltos que ocorrem na rua Japão, onde teve até tiroteio ao meio-dia. Qual é a providência para que a rua Japão seja uma rua onde as pessoas possam morar tranqüilas? O Cap Pincelli agradeceu ao Sr. Walter já que o Cap. Pincelli disse que a PM não sabia o que acontecia na rua. Explicou que os dados da SSP estão disponibilizados no INFOCRIM, e segundo o sistema os dados não condizem com o relatado pelo Sr. Walter. O Sr. Walter disse que já reclamaram várias vezes com as polícias Civil e Militar sobre os problemas da rua, e está cansado do problema: "meus netos não conseguem mais passear na rua". O Cap. Pincelli disse que as viaturas são distribuídas tecnicamente, segundo dados fornecidos pela SSP, e disse que precisa que as pessoas prestem queixa. Afirmou que há duas semanas começou policiamento velado. Um morador da rua disse que o furta ali é CD, e como segurada não reembolsa a pessoa vai e compra outro, sem fazer o BO. E disse que no sábado de carnaval havia 3 carros arrebentados, e a pesar de sugerir aos proprietários ir à delegacia ninguém foi, já que "ninguém faz nada. Já estão na frente do prédio, daqui a pouco estão dentro do prédio, disse". Afirmou que ali é boca de fumo; quem rouba é moleque que rouba para ir comprar fumo. O Sr. Walter disse que a comunidade está disposta a ir até a polícia para buscar uma solução. Infelizmente, disse Pincelli, "nós prendemos milhares de criminosos por mês, mas milhares de outros saem da cadeia  todo mês". Os moradores da rua informaram também de um terreno abandonado na rua, do lado esquerdo, onde era um estacionamento que foi desativado. Temem pela invasão do mesmo.

D. Valkíria, da Vila Olímpia Solidária, questionou quem não dorme por causa de danceteria: muitos levantaram a mão. Afirmou que a Vila Olímpia e o Itaim "se tornaram terra de ninguém; nós fomos invadidos, não temos direito a dormir, a nossa saúde, e tem assaltante que marca ponto e tem horário, estaciona o carro enfia o revólver na calça e sai procurando vítimas pelo bairro". Ressaltou a boa vontade do novo subprefeito, que tomou a atitude inédita de enfrentar o Bazzi, o "símbolo do mal" da Vila Olímpia, que está lacrado há doze dias. Disse que a atitude do novo subprefeito é diferente da atitude de Beatriz Pardi, a subprefeita do governo Marta Suplicy, que "era arrogante, não escutava e ameaçou processa-la diversas vezes". Avisou também que ia ser feita, em data próxima, uma manifestação dos moradores para reivindicar seus direitos básicos, especialmente o de dormir, "que é o mais elementar direito do ser humano".

Rosana, moradora da rua Santa Justina, que também não consegue dormir direito, e disse que "está procurando soluções e não encontra". No 190 ouviu que a Vila Olímpia e Moema "são bairros comerciais, e não há do que reclamar". Relatou que acordou com tiros, com brigas, com manobrista batendo em cinco carros, e não é só final de semana, é diariamente. Disse que tem medo "até de bala perdida, de um dia não acordar". O Sr. Bernardo disse que ao ligar para 190 o atendente diz o nome, e se não dizer tem de perguntar. Ana, da rua Quatã, disse que ligou no 190 ás 03h e ao relatar o barulho o atendente disse: "e a senhora quer que eu faça o quê?" e ao reclamar o atendente disse que a conversa estava sendo gravada e ela poderia ser presa por desacato. O Cap. Pincelli disse que "infelizmente estamos no Brasil e não temos Bobs  londrinos atendendo o telefone, a cultura é a do Brasil e há também policias mal-criados". Quanto aos bares disse que "A polícia não resolve problemas, a polícia cumpre a Lei, e a Lei disse que reclamante tem de ir a delegacia lavrar um BO e partir daí é instaurado inquérito. Mais do que isso é abuso de autoridade". O Sr. Bernardo disse que o grande problema é o "festival de liminares" concedidos pela Justiça, que garante o funcionamento de estabelecimentos irregulares.

Rosana reclamou também da loja de conveniência do Posto Hudson na rua Alvorada 1035, que "vende bebida para menores", e os freqüentadores ficam cantando nas mesinhas até às 3 de manhã e ninguém dorme. Já reclamou na subprefeitura e nada acontece.

Igli, que mora na entre as ruas João Cachoeira e a Clodomiro Amazonas, vizinho de muro do Pão de Açúcar , sugeriu que fosse adotada uma media já adotada em outros países, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas após as 22h em locais abertos. Disse que o Pão de Açúcar da rua já adotou essa medida, e a partir das 22h retira bebidas alcoólicas da geladeira. Mas os garotos comprar vodka e outras bebidas, e continua a mesma coisa.s

Eduardo disse que na Gomes de Carvalho há vários estabelecimentos fechados e lacrados que funcionam todos os dias (Vinil, Ibiza, Tenda Olímpia e Punto). Afirmou que "De quarta a domingo tem de dormir fora de sua casa" já que "não consegue dormir nem na sala, nem em qualquer local do seu apartamento".

O Sr. Bernardo disse que " temos de bater encima do poder judiciário para acabar com o festival de liminares".

O Sr. Antonio Marsiglia Netto disse que "a motivação de todos os subprefeitos é recuperar a cidade, que está sendo perdida pelo poder publico para pessoas que nada tem a ver com o poder público. Será um trabalho árduo mas será bem sucedido na medida em que a Prefeitura venha contar com pessoas como vocês, e que a gente possa nos CONSEGS , associação de bairro e ONGs ter o apoio necessário da cidadania e da sociedade para estabelecer políticas publicas que transformem a cidade em uma cidade saudável ordeira e pacifica, onde os cidadãos sejam respeitados. Hoje é uma afronta contra os cidadãos que precisa  ter paz e sossego no seu lar e tem  o direito de descansar sem ser molestados por qualquer tipo de ruído ou atividades irregulares. Não é fácil mas estamos nos empenhando, vamos trilhar esse caminho vamos mostrar que é possível recuperar a cidade com ajuda de todos vocês" .

Isaura Matos que mora nas imediações da mercearia São Roque, disse que esse estabelecimento "está instalado em um local onde não pode ter comercio". Nada tem contra a mercearia; "o problema são as pessoas que freqüentam, que estacionam seu carros nas portas das garagens e não deixam que os moradores tenham acesso as casas". Afirmou que ligou várias vezes no 156 e nunca teve resposta.

Aparecida, que mora na rua Ribeirão Claro, reclama de um ferro velho que se instalou lá no final do ano passado, apesar da proibição do fiscal que vistoriou o estabelecimento "trabalha lá das 7 da manhã as 2h, 3h da madrugada", e disse que nem o PSIU nem a polícia resolvem. Disse que "esse pedaço é esquecido pelo CONSEG Brooklin e por isso vem neste CONSEG reclamar".

A senhora Rosana,. que mora na rua Coronel Joaquim Ferreira Lobo, disse que os bares Montecristo e Corleone "sitiaram as calçadas, e os pedestres tem de andar pela rua, disputando a rua com ônibus". Afirmou também que os valets usam as portas dos vizinhos como banheiro.

Rosângela, Moradora da Vila Olímpia, pertence ao movimento Vila Olímpia Viva disse que "este CONSEG é o espaço ideal de discussão, mas no Brasil o poder publico não esta de nosso lado". Afirmou acreditar que o novo subprefeito de Pinheiros "tem vontade mas os problemas são complexos". 

Flavio Strauss, diretor jurídico do Grupo Posadas, que administra dois hotéis da região, membro do Colméia, disse que "não são só os cidadãos os prejudicados" pela inúmeras danceterias da região: "nosso direito de trabalhar, de termos hóspedes também está sendo prejudicado, já que o barulho e a violência espantam nossos hóspedes; as danceterias alegam o emprego mas seus empregados nem devem ser registrados em carteira". Afirmou também que os empregados do grupo hoteleiro "são muito mais mais que o que esses piratas sustentam, que nem registro em carteira tem". Sobre as liminares concedidas pela Justiça a esses estabelecimentos, sugeriu convidar juízes para participar das reuniões já que "os juízes precisam receber os fatos corretos para relatar as liminares".

José Luis que mora na rua Casa do Ator, disse que vai dormir as 3h porque a Coiote não vai lhe deixar dormir. E perguntou: "o que eu faço?" Antonio Marsiglia Netto disse que "hoje temos de reconhecer que a cidade está abandonada há 20 anos, e esse processo faz com que pessoas estranhas ao poder publico tomem conta de pedaços da cidade, e hoje nem um exército que colocasse na rua poderia conter tais elementos. O que se quer fazer é começar um processo; tivemos recentemente o problema do lacre, no  Bazzi colocamos peças de concreto de uma tonelada, porque esse lacre que alguém não pode movimentar sem ser visto; lacre de papel o vento levou. É um processo que precisamos começar. Temos de torcer porque devido ao fechamento do Bazzi muitos outros bares estão querendo regularizar. Queremos que os bares que funcionam nas zonas mistas respeitem a lei e os cidadãos". Marsiglia pediu para o reclamante "não perder a esperança que vamos tentar mudar esse estado de coisas".

Patrícia, moradora da Vila Olímpia, sugeriu que a subprefeitura "meça o barulho na rua numa segunda-feira, para constatar que a rua é calma, tranqüila, e a rua muda o perfil quando os bares abrem. É fácil constatar a origem do barulho". Disse que as boates invadiram o bairro, já que "as pessoas moravam na Vila Olímpia antes das boates". Segundo Patrícia, regularizar não resolve o problema: na sua quadra "há 4 boates e 5 prédios", e para Patrícia não dá para conviver.

O Sr. Bernardo recomendou registrar Boletim de Ocorrência em qualquer caso, para alimentar o INFOCRIME, e não dar esmola em farol ("um faz malabarismo o outro vem por trás assaltar"). 

Foram homenageados com Certificado de Honra ao Mérito o Sargento Feminino PM Isabel da Silva e o Soldado PM Eugenio Carlos da Silva Barros, pelos relevantes serviços prestados à comunidade. Foram também homenageados a Sra. Neusa Maria Scattolini, diretora do colégio Domus Sapietieae, o Inspetor da Guarda Civil Metropolitana Nilzo de Oliveira Filho, e o Dr. Antonio Marsiglia Netto.

A próxima reunião será no dia  8 de março de 2005 às 19h0 no Extra Itaim, Rua João Cachoeira, 899.

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