|
|
|
|
|
|
Reunião do Conselho
Comunitário de Segurança (CONSEG) de Itaim Bibi
01 de julho de, 2003
Membros Natos
Tenente Ezequiel, representando o Capitão Sergio Aparecido Pincelli,
Comandante da 3ª Cia do 23º BPM. Celso Damasceno, delegado assistente do 15DP,
representando o Dr.
Mauro
Guimarães Soares, Delegado Titular do 15º DP
- Itaim Bibi.
Autoridades Presentes
Beatriz Pardi, subprefeita de Pinheiros. Dra.
Patrícia, da Assessoria Jurídica da subprefeitura de Pinheiros. Roberto Calil,
coordenador das equipes de fiscalização do PSIU. Classe
Especial Souza, representando o Inspetor Nilzo, da GCM
Pinheiros.
Nenhum representante da
Subprefeitura de Vila Mariana compareceu à reunião.
Assuntos
tratados
Roberto
Calil, que está no PSIU há oito meses, explicou as Leis com as quais trabalha
o Programa, como trabalham e as dificuldades que encontram. O PSIU, explicou, trabalha
com duas leis: a 11.501 emissão de barulho, e a 12.879 lei de fechamento de
bares (que exige isolamento acústico, segurança e estacionamento). Os dos
bairros mais contemplados pelo PSIU são o Centro e Pinheiros (Vila Madalena e
Vila Olímpia) devido a grande quantidade de bares, lanchonetes e entretenimento
em geral nessas regiões. Aproximadamente 30% das reclamações são
originárias desses bairros. Às quintas-feiras, sextas-feiras e sábados vêm,
no mínimo, uma equipe de fiscalização a cada uma dessas áreas.
O
PSIU, explicou Roberto, faz a medição de ruído, e tem de chegar no momento
adequado. Se justamente nesse momento não houver ruído, a multa não pode ser
efetuada. Não pode estar chovendo, nem ruído de fundo maior que o que vem do
estabelecimento. O Sr. Roberto foi enfático em explicar que o PSIU não
resolve problema: "nos podemos chegar, notificar a primeira vez, atuar na
segunda vez (a multa é de 300UFM), e iniciar um processo administrativo (que
demora um tempo) e gera uma lacração". Mas, explicou, "o lacre é de
papel; ninguém solda a porta". Se o dono quebra o lacre, a única ação
possível e fazer uma Ocorrência Policial, e relatou que já aconteceu de levar
quatro vezes o mesmo proprietário à Delegacia. "O Delegado faz o
Boletim de Ocorrência, libera o proprietário que vai lá e abre o bar
novamente", explicou.
Metade
da equipe de fiscalização e fazemos o dobro (120 vistorias no FS) do que fazíamos
antigamente. com a nova diretoria. Atendemos 47% das reclamações.
Sr.
Aquiles, afirmou que foi fiscal durante 19 anos (Pinheiros, Sé e Vila Mariana)
e na sua época "nós possuíamos decibelímetro, a reclamação era atendida de
imediato".
Entregou os protocolos que tinha consigo e afirmou que os protocolos somem. O
SR. Roberto afirmou que os dois
estabelecimento mencionados pelo reclamante (Corleone e Monte Cristo) já foram
multados: "temos limites,
não podemos chegar lá e fechar. Milagres não podemos fazer". Beatriz
Pardi explicou os procedimentos da Subprefeitura, e afirmou que "não temos
poder de Polícia de prender".
Patrícia,
assessora jurídica da subprefeitura, explicou o que acontece quando o Juiz dá
uma liminar: "Temos
muitos casos de estabelecimento que conseguem liminares para continuar
funcionando. A subprefeitura não tem poder para descumprir uma decisão
judicial, nosso departamento é responsável para responder a essa limitar, para
cassá-la. A limitar tem uma duração média de 3 a 4 meses, mas há casos na qual
dura 1 a 2 anos. O Departamento Judicial não pode pressionar os juízes a cassar uma
liminar. Mas o Poder Judiciário demora a decidir". A dra Patrícia
explicou que "existe
a possibilidade da ação individual de cada munícipe, baseado no direito ao
sossego".
O
Sr. Bernardo disse que está se formando uma comissão de moradores dos bairros
atingidos para entrar na Justiça, e ressaltou a importância de todos os
atingidos pelo problema se unirem na procura de uma solução.
D.
Elenise, acompanha há algum tempo o caso porque
a casa fica em frente ao Montecristo. "O Montecristo
não tem uma atitude positiva para solucionar
o barulho; quanto mais reclamamos mais aumentam o volume. Estão cada vez mais
se fechando para ir contra nós. Eles sabem que a Prefeitura não tem autoridade
para resolver o problema; ou a gente se muda ou não conformamos com o barulho.
quem se responsabiliza por nós, que no dia seguinte temos de trabalhar, temos
filhos para cuidar ?", disse D. Elenise.
O Sr.
Roberto explicou que "a
legislação é assim; não
vão querer repassar uma responsabilidade para nós que não é nossa", e
qualificou de "leviana" a insinuação de corrupção efetuada pela Sra. Elenise.
"O que nós podemos
fazer é encaminhar o processo", explicou.
Janalice
de Almeida Camargo, diz que mora no meio de vários bares: o Montecristo (no
fundo do seu quintal), Dublin, Néctar e um oriental que vai abrir: "Quando
demoliram as 2 casas para fazer o Montecristo
eu fui na Prefeitura onde me disseram que não
podiam fazer nada já que eu não tinha certeza que aquilo ia ser um bar. Quando
fui falar depois perguntaram : Porque não veio antes fazer a reclamação?
A Polícia
diz que não pode me atender, no PSIU dizem que não tem reclamação contra o Montecristo, que é a primeira pessoa que
liga". Afirmou que até foi ameaçada por um dos donos do Montecristo
que
foi à sua residência.
.
O Sr.
Roberto confirmou que barulho não é problema de Polícia; "é problema do
PSIU".
E afirmou que há dezenas de denúncias contra o Montecristo no PSIU. "Eles tem
trinta leis que defendem eles, eles riem da cara de vocês e também da nossa
cara. São Paulo tem 100.000 bares e nós só temos 9 equipes de
fiscalização; não podemos somente nos ocupar do Montecristo". Só para
exemplificar, disse que "ha duzentas
reclamações por semana de templos; não é só bar".
Maria de
Lourdes, funcionária da CETESB, disse que mora em uma vila residencial, que era bem silenciosa. Explicou que a
CETESB trabalha com dois conceitos: um é de ruído, e outro é de incômodo
(mesmo que não atinja o limite, causa incômodo à população). Disse que
"fizemos abaixo
assinado, que foi entregue na Secretaria de Planejamento, na subprefeitura de Pinheiros, na CET (já que não
conseguimos chegar em nossas casas) mas o poder público ainda não deu
retorno". Lembrou a decadência do Bexiga, onde os
moradores foram expulsos. Também vários trechos da Vila Madalena estão
abandonados já que os moradores foram expulsos do local.
Carlos
Oliveira, que mora perto do Montecristo, disse que gostaria saber como é que conseguem
alvará para funcionar, tomar toda a calçada? "Se vou fazer uma reforma em casa
tenho de manter 5 metros de recuo; eles tomam toda a calçada a nada acontece!",
afirmou. Roberto explicou que em relação ao tratamento acústico é justamente por isso
que está em estado de fechamento policial, o que não quer dizer que vai
resolver o problema.
D.
Beatriz Pardi o procedimento de concessão de alvará. "O alvará não é visto do ponto de vista
do incômodo. No caso do Montecristo tinha irregularidade na construção que
ele saneou, e depois solicitou alvará e Licencia de Funcionamento, e obteve
pelo CONTRU, já que abriga mais de cem pessoas". Explicou também que o Plano
Diretor aprovou novos critérios para uso e ocupação do solo, que é
justamente o critério do incômodo. Hoje se trabalha com essa idéia de
incômodo. Há duas zonas: Zona 1 e Zona Mista, onde o uso vai ser determinado pelo critério do
incômodo. Lembrou que na primeira reunião do CONSEG que participou como
subprefeita sugeriu uma mobilização
junto à Câmara para mudar as Leis. "Temos um limite na ação. São agendadas
por semana dez lacrações, mas muitas vezes na mesma noite o estabelecimento é
reaberto", afirmou.
O Sr.
Oto reclamou da obra na rua Jesuíno Cardoso, 190, que apesar de embargada
continua funcionado normalmente.
A Sra.
Sara, que mora na Vila Olímpia, disse que há dois anos está lutando, juntou
130 assinaturas e não resolveu nada. "Seis horas da manhã a filha, que é
médica, teve uma emergência e quando foi sair tinha pelo menos seis carros com
casais fazendo sexo na porta da sua casa e não conseguiu sair".
O Dr. Celso
Damasceno disse que achava que os reclamantes tem razão mas a legislação é
péssima. "O código de transito é uma inovação em alguns sentidos mas um
atraso em outro. Um indivíduo alcoolizado não é obrigado a usar o bafômetro
nem fornecer amostra de sangue, e o exame clínica não demonstra, no tribunal , que estava
alcoolizado. Na constituição de 1988 a polícia perdeu poderes; havia um
setor de Diversões Públicas, que fiscalizava hotéis e bares, e perdemos isso, não
temos poder para fiscalizar nada. Os inquéritos por desobediência vão dar em
nada, já que a Lei 9.099 aplica uma pena alternativa, o indivíduo paga uma cesta básica de R
50,00, que é o lucro de um copo de whisky. A Lei beneficia a impunidade porque é fácil
transgredir a lei, não pesa no bolso, não leva ninguém à cadeia. A lei é
benéfica ao lado contrário" e exortou os presentes a "pressionar o poder público, a
Câmara Municipal ou o Senado para mudar a Lei, se não
continuamos chovendo no molhado: continuamos prendendo e soltando. O
indivíduo é pego com arma de brinquedo, confessa que vai assaltar mas nada
pode ser feito".
"Processo de desobediência não acarreta em fechamento de bar; será punido pelo
rompimento do lacre, não pela reabertura do bar" continuou explicando o
Dr. Celso: "o Juiz Criminal não vai
determinar o fechamento do bar; somente uma ação pública movida pelos
moradores pode acarretar que a Justiça Cível determine o fechamento".
O Dr.
Cesl também esclareceu que a lei pune a perturbação do sossego público:
"se una pessoa reclamar é feito um Boletim de Ocorrência,
um inquérito, mas o promotor pede que sejam levantados outros prejudicados.
Não existe perturbação de um morador só. É a Lei, e tem de ser cumprida. A
perturbação não tem horário; pode ser durante o dia.", disse.
Regina
Helena, que trabalha na Secretaria de Educação, representa os pais, que tem
mais de 80 anos, e moram na Rua Iguatemi. Diz que um restaurante Kosushi faz a
ante-sala na calçada e ninguém no prédio consegue descansar. "Fizemos dois
abaixo assinados e quero saber o que vocês podem fazer por nós", disse
aos membros da mesa.Beatriz Pardi
explicou que foi feito tudo o que era possível: foi fechado, lacrado,
desobedeceu, foi instaurado inquérito e está aguardando fechamento.
Quanto ao uso do estacionamento, o estabelecimento será incluído no próximo comando dos
Valets, prometeu D. Beatriz.
O
Sr. João Carlos lembrou a lei do Vereador Jooji Hato e exigiu que as Leis sejam aplicadas
veementemente.
A Sra.
Adair sugeriu convidar os vereadores do bairro, que a população elegeu,
para participar da reunião do CONSEG.
A
seguir, um dos assessores do Ver. William Woo presentes à reunião explicou o
andamento da CPI dos Valets: "A CPI não tem intenção de punir nem prejudicar, já que a cidade de São
Paulo é uma cidade de lazer e o serviço de Valets é uma comodidade. A CPI
procura colher informações e subsídios para fazer um projeto de lei que
regulamente a atividade, para que o carro não fique na rua, que o carro seja
conduzido por pessoas habilitadas contratadas por pessoas idôneas".
A próxima
reunião foi anunciada para o dia 12 de agosto no Extra.
Retornar
]