Reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) de Itaim Bibi
Abril 11, 2000


Estava presente o Capitão Pincelli, Comandante da 3ª Cia do 23º BPM. O novo delegado do 15º DP - Itaim Bibi, Dr. Alexandre Sayão, não compareceu à reunião, por ser seu primeiro dia na Delegacia e ter chegado ao DP poucas horas antes da reunião.

O Sr. Francisco Mello, presidente do CONSEG - Itaim Bibi, lamentou a saída do Dr. Ivanov do 15º DP, afirmando que seu afastamento foi um ato arbitrário e que "não teve nada a ver", louvando o Delegado como um defensor da comunidade. Um vizinho apresentou um abaixo-assinado em favor do Dr. Ivanov, que foi assinado por todos os presentes.

O informe do Comandante
O Cap. Pincelli, fazendo uso da palavra no começo da reunião, informou que os índices de criminalidade no bairro abaixaram. Não sabe se devido à uma diminuição nas ocorrências de assaltos e furtos ou se a população registrou menos boletins de ocorrência.
Sobre os recentes acontecimentos envolvendo o 15º DP, o Capitão não quis efetuar qualquer comentário, por tratar-se de outra Corporação com a qual não tem dependência funcional e seria anti-ético comentar fatos da Delegacia. Afirmou ter confiança que nos próximos dias os problemas de conhecimento público serão solucionados. O Capitão disse que a única ocorrência em destaque no mês passado foi a prisão - amplamente noticiada na imprensa - de delinqüentes fortemente armados, um dos quais portava um fuzil 762, de procedência romena, com um poder de fogo tão alto que nem os coletes de proteção da PM agüentariam. O Capitão disse que foi sorte esse marginal ter se entregue às autoridades, porque se tivesse feito uso dessa arma, dizimaria o Batalhão. Fora esse caso, não houve outros incidentes que merecessem comentários por parte do Comandante.

Conto do Vigário
A produção do site comentou que, em recentes reuniões dos CONSEGs de outros bairros, ouviu comentários sobre o aumento no número de ocorrências de estelionato e "contos do vigário". Perguntou se no Itaim essa tendência também foi notada. O Capitão Pincelli disse que estes delitos têm a característica de serem facilitados pelo desejo de ganho fácil por parte da vítima e que, efetivamente, houve no bairro vários casos desse tipo. O Capitão Pincelli afirmou que aqueles que praticam o conto do vigário têm uma grande criatividade e, comentou um caso bastante comum que acontece geralmente em Pinheiros, na Rua Teodoro Sampaio. Um indivíduo joga-se na frente de algum carro, fingindo ter sido atropelado; quando o motorista desce para verificar o que aconteceu, surge outro sujeito dizendo ser advogado e por acaso, conhecido da vítima e afirma ter testemunhado o acidente e não ter dúvidas da culpabilidade do motorista. O suposto advogado ameaça o motorista, dizendo que vai entrar com diversos processos contra o mesmo, mas após a troca de idéias, oferece esquecer o assunto desde que o motorista pague os custos da "internação" do "atropelado". Mesmo não havendo atropelamento nem vítima, o motorista tentando se livrar de um incômodo e de um provável processo, acaba pagando de R$ 1.000,00 à R$ 1.500,00 ao bando de vigaristas e nem sequer faz o B.O. para tentar preservar seus direitos. Questionado pela produção do site quanto à atitude a ser adotada pelo motorista, o Capitão disse que imediatamente deve ligar para a Polícia, através do 190 ou diretamente ao Batalhão. Esses marginais, o que menos querem é a presença da Polícia e a simples menção da autoridade policial os fará desaparecer.

O futuro dos CONSEGs
A seguir, foi passada a palavra ao Sr. Adilson Dallari, convidado do CONSEG.
O Sr. Dallari apresentou-se como especialista em Administração Pública e Assessor do Governador Mário Covas, desde de que era Prefeito da Cidade de São Paulo. Informou que os Conselhos Comunitários de Segurança foram criados durante o Governo Montoro, mas nunca tiveram uma estrutura padrão. O regulamento só foi aprovado em março de 1.999. Há atualmente uma preocupação da Secretaria de Segurança Pública em dar uma estrutura permanente aos CONSEGs, já que alguns funcionam de maneira informal; outros possuem estatuto sem registro e; há aqueles que possuem estatutos registrados e, consequentemente, personalidade jurídica. O objetivo da Secretaria de Segurança Pública é que todos os CONSEGs tenham personalidade jurídica e para isso tem que haver um estatuto padrão.
O Sr. Dallari está visitando os CONSEGs, estudando as Atas e inclusive, visitando Delegacias onde o CONSEG não funciona, para conhecer com maior profundidade a atuação dos Conselhos Comunitários de Segurança. Possuindo personalidade jurídica, os CONSEGs poderão gerar recursos e será mais fácil e prestigiada sua atuação junto aos Órgãos de Segurança. O Sr. Dallari afirmou que atualmente, devido à burocracia, é muito difícil efetuar qualquer doação à Polícia Militar. Se os CONSEGs tivessem personalidade jurídica, aqueles que desejassem doar qualquer equipamento à Polícia, fariam ao Conselho Comunitário de Segurança, que por sua vez o repassaria à Polícia Militar, de uma forma muito mais fácil e rápida. O Sr. Dallari também afirmou que os CONSEGs representam uma força cada vez maior nos orçamentos. Informou que, nesta semana, está sendo discutido no Congresso Nacional a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece a participação na Administração Pública para tentar eliminar o divórcio entre a Administração e o Administrado.

Mais um golpe
O Sr. Dallari comentou com os presentes um caso que testemunhou recentemente. Disse que, em um determinado dia, recebeu uma ligação de sua sobrinha, que encontrava em meio à uma grande confusão na Delegacia de Polícia e solicitava sua presença no local. Ao chegar ao DP, o Sr. Dallari ouviu a versão dos fatos: sua sobrinha comprou um talão Zona Azul de um ambulante, pagando com uma nota de R$ 10,00. Ao retornar para o carro, algum tempo depois, foi abordada pelo ambulante, dizendo que, a nota com a qual havia pago o talão, era falsa. A falsificação era grosseira. Segundo Sr. Dallari, a maioria do pessoal teria trocado a nota, para evitar maiores constrangimentos, mas sua sobrinha chamou a Polícia e foram todos para a Delegacia. Afortunadamente, a Delegada - já ciente da existência desse tipo de golpe - a liberou, isentando-a de possíveis complicações.

Assalto
VectraA proprietária de uma Farmácia de Manipulação, na Av. Faria Lima nº 1459, disse que mal inaugurou direito seu estabelecimento e já apareceu um assaltante. A funcionária da loja mostrou ao ladrão, que não havia o que roubar, pois estavam inaugurando. O assaltante retirou-se porém, não antes de aconselhá-la à trancar a porta, porque era perigoso ficar com a porta destrancada. Foi dado aviso ao policial, que fica de plantão no Vectra, sobre as características do indivíduo, mas não foi possível localizá-lo. No dia seguinte, ao chegar à loja, a funcionária o avistou novamente, mas ao ser reconhecido desapareceu por trás dos tapumes do Banco Itaú. O policial era outro e, provavelmente, não sabia da descrição do indivíduo fornecida no dia anterior. Disse que, no local, também havia dois policiais de Trânsito e, perguntou se caso acontecesse um incidente, esses PMs poderiam atuar ou, se só atendem ocorrências de Trânsito. O Cap. Pincelli afirmou que, apesar de prioritariamente atuarem no policiamento do trânsito, também são PMs, assim também como os Bombeiros, por exemplo, e têm o dever de prestar assistência à população. Caso em alguma ocasião um PM se negar a fazê-lo, alegando estar fora da sua área - "não posso sair daqui" - ou qualquer outro argumento, será somente falta de vontade de trabalhar e sua atitude deve ser denunciada à Ouvidoria da Corporação (anotar número de viatura, data e hora). O Capitão aproveitou a oportunidade para comentar com os presentes a identificação dos veículos. Na foto à direita, o Vectra na Faria Lima - próximo à Av. Juscelino Kubistchek - com identificação M-23304. O número "23" o identifica como sendo do 23º Batalhão, o "3", que se segue, como sendo da 3ª Companhia e o "04" é um número seqüencial.

Frota
O Cap. Pincelli afirmou ter à disposição 8 (oito) Vectras, 3 (três) Astras e 4 (quatro) carros antigos.

Só um policial é suficiente?
A comerciante questionou ao Cap. Pincelli se somente um Policial no Vectra é suficiente, lembrando do recente assalto ao Banco Real. O Capitão respondeu que o Policial está aí para dar SENSAÇÃO de segurança e não segurança propriamente dita. Na ocorrência de um incidente, o PM vai solicitar reforços; não atua sozinho. O Capitão afirmou que há vantagens no sistema: sozinho, o policial não fica batendo papo com seu parceiro; presta mais atenção, pois a responsabilidade é só sua. A melhoria na segurança é notória.

Sugestão
Uma vizinha sugeriu que as Autoridades Policiais elaborassem cartilhas, orientando a população sobre como se comportar em caso de assaltos, como evitar golpes, etc. Foi informada que essas cartilhas já existem e são distribuídas freqüentemente pelas autoridades. Em próximas reuniões, serão distribuídas no local. (nota da redação: leia uma dessas cartilhas, publicada há pouco pelo site).

Rede de comunicação comunitária
Representantes de uma empresa de telecomunicações fizeram bastante pressão para apressar a instalação de uma Rede de Comunicação Comunitária (que funciona baseada nos equipamentos que eles vendem). Nesta reunião o pessoal da Lapa, que já instalou algo parecido, estaria presente mas, devido à contratempos, não foi possível. Foi acertada a convocação de uma reunião com o Capitão para discutir o problema.

Próxima reunião
A próxima reunião acontecerá no dia 9 de Maio de 2000, às 20h00, no Colégio N. S. das Graças - Rua Tabapuã nº 303.

Bernardo WallisFrancisco MelloCapitão PincelliAdilson Dallari
Em sentido horário, Bernardo Wallis, Francisco Mello, Cap. Pincelli e Adilson Dallari